Presidente do Banco Central afirma que autoridade monetária passa por ‘crise quase sem precedentes’ com variações de preços dentro e fora do país

Marcelo Camargo/Agência BrasilPresidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, diz que variação de preços está mais forte e disseminada que o planejado

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira, 24, que a autoridade monetária “entende que passa por uma crise quase sem precedentes” ao comentar o comportamento da inflação dentro e fora do país. Em um evento promovido pelo Bank of America (BofA), o economista afirmou que a disseminação nas cadeias de preço está mais forte do que o esperado, e que o BC passa a ver o distanciamento da desancoragem das expectativas para a inflação em 2022. Sobre a trajetória da inflação, Campos Neto disse que os choques estão persistindo por um tempo maior do que o planejado. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira, acelerou 1,25% em outubro, o maior resultado para o mês desde 2002. No acumulado de 12 meses, a variação de preços foi a 10,67%, o patamar mais elevado para o período desde janeiro de 2016. A prévia da inflação de novembro será divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) nesta quinta-feira, 25. O mercado financeiro estima que o IPCA encerre o ano em 10,12%. O BC já admitiu que não vai cumprir o centro da meta para a inflação deste ano, de 3,75% — com variação entre 2,25% e 5,25%. Para o ano que vem, os analistas do mercado estimam a inflação a 4,96%. Em 2022, a autoridade monetária persegue a meta de 3,5%, com teto de 5% e piso de 2%.

De acordo com Campos Neto, a demanda por bens puxa a variação dos preços em todo o mundo, a despeito da retomada do setor de serviços com o avanço da vacinação contra a Covid-19. O encarecimento dos produtos é reflexo de fenômenos percebidos desde o ano passado, como a falta de insumos, e foi reforçado por problemas recentes, como a falta de abastecimento de energia elétrica em diversos países. O presidente do BC disse não saber se essas mudanças serão estruturais, mas que elas podem se estender por um período mais longo do que o inicialmente projetado. Em outubro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC endureceu a tentativa de levar o IPCA para baixo ao acrescentar 1,5 ponto percentual na Selic e elevar os juros para 7,75% ao ano. Em nota, o colegiado afirmou que a decisão mira trazer o índice para a meta de 2022, já de olho nos efeitos em 2023. O BC ainda afirmou que deve repetir o movimento na reunião de dezembro, a última de 2021, e encerrar a Selic a 9,25% ao ano. Para economistas e analistas do mercado, o ciclo de alta deve se prolongar até meados do primeiro trimestre do ano que vem, com a Selic alcançando o teto de 11,25%. A autoridade monetária observou que esse movimento deixa a taxa de juros em um patamar significativamente contracionista, ou seja, cria barreiras para as atividades econômicas.



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